terça-feira, 22 de junho de 2010


Amor e Dor

“O amor é uma espera

e a dor

a ruptura súbita e imprevisível

dessa espera”

Násio

A dor mental não é necessariamente patológica, ela baliza a nossa vida como se amadurecêssemos a golpes de dores sucessivas. É o sinal da passagem de uma prova. Quando uma dor aparece, podemos acreditar, estamos atravessando um limiar. De uma singular separação que deixando-nos súbita e definitivamente, nos transforma e nos obriga a reconstruir-nos.

Quanto mais se ama mais se sofre.

“Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdermos a pessoa amada ou seu amor”. Freud

Mesmo sendo uma condição constitutiva da natureza humana, o amor é sempre a premissa insuperável dos nossos sofrimentos. Quanto mais se ama, mais se sofre.

Quando se perde um amor, sua imagem fica soberana sobre a imagem do sujeito.

Realizar o luto da perda de um amor, significa desinvestir pouco a pouco a representação do amado perdido. Uma lenta redistribuição de energia. Se o luto se cronifica ele paraliza a vida do enlutado.

Se insistirem para que eu diga por que eu o amava, sinto que isso só pode exprimir-se respondendo: “Porque era ele porque era eu”.Montaigne

Assim o amor permanece sendo um mistério impenetrável, que não se deve explicar, mas apenas constatar.

Perdendo quem amamos, perdemos uma fonte de alimento, objeto de nossas expectativas, sonhos.

A imagem do ser perdido não deve se apagar; pelo contrário, ela deve dominar até o momento em que graças ao luto a pessoa enlutada consiga fazer com que coexistam o amor pelo desaparecido e um mesmo amor por um novo amor. Quando esta coexistência do antigo e do novo se instala, podemos estar seguros de que estamos seguindo o curso da vida.

Isis F.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Meu presente inesquecível...

Ok...sou romântica apesar da idade..sabe ... o corpo envelhece, mas se a alma for recheada de esperança ela terá sempre curiosidade de criança, alegria de adolescente. Quando você perguntou do presente que me tirou do sério, quis saber saber do que o romantismo é capaz de fazer. Fucei em meus arquivos para lembrar de algo que fosse suspreendente. Lembrei que enquanto namorava um lourão que viria ser meu marido ele me deu alguns presentes que fizeram minhas amigas babarem. Me deu um anel de brilhantes em navetes, éramos estudantes, me deu um pingente de ouro que era uma cartinha, um envelope desenhado selo, meu nome, ele abria e lá tinha uma cartinha também em ouro dizendo eu te amo.Mas o incrível é que não foram esses belos presentes que me marcaram, nem nenhuma forma extravagante de ganhá-los, nunca houve nenhuma cena com helicópteros, ou algo equivalente, ah..ganhei uma viagem a Paris após uma briga! Mas o que marcou mesmo foi uma camiseta azul bebê . Não pela camiseta em si, foi o primeiro presente que ele me deu, o que me marcou foi o jeito tímido, sem graça, morrendo de medo de que eu não gostasse. Tínhamos 18 anos, lá se vão muitos anos desde essa cena, e aquele jeito acanhado, era o sinal de como eu era importante para ele. Era o sinal de que seríamos parceiros/amigos/amantes pelos projetos mais importantes de nossas vidas. Iriámos crescer profissionalmente juntos, e fabricar 3 bonitões. Aquele jeito, a importância de me agradar, foi o meu melhor presente, e veio no mais simples deles.Acho uma grande sorte ter sido verdadeiramente amada. Espero que todas as pessoas possam viver isso ao menos uma vez na vida. Isso nos transforma em seres melhores, o mundo fica mais florido.
Isis Figueiredo